Inicialmente públicado no fórum Cyberia 3.0
Olá, cyberianos.
Sentiram minha falta? Acalmem-se, sei que foi difícil viver sem ler meus posts novos. Talvez esteja tão deprimido por falta de novidade da minha parte, não é? Pobrezinho...
Bem, poupe suas lágrimas e lamentos. Estou para falar de algo que, até então, é um dos casos que mais me instigam a acreditar que a realidade não se atém somente ao físico. Há algo que precisamos saber para maior obtenção de sabedoria, mas requer muita humildade e amor para compreendê-la. Estou no caminho para isso, infelizmente não mais em passos largos.
Não tenho vivido a melhor das vidas por causa de uns problemas em casa e em mim mesmo. Têm sido difícil lidar com meus pensamentos e ainda mais com a opressão e falta de compreensão. Embora eu reconheça que estou ficando mais forte, ainda sou muito fraco.
Os pensamentos melancólicos cada vez mais vindo atrás de mim, puxam meus pés e são insistentes. Cada vez mais aumentando sua intensidade e me complicando, sem ter cartas nas mangas.
Uns dias atrás, fui até a loja do meu pai para pegar dinheiro e comprar algumas coisas que estavam faltando em casa. O velho me fez esperar uns 30 minutos (ou mais). Nesse tempo, fiquei sentado em frente a entrada e observei tudo. Pensei em observar o meu presente e assim o fiz. Pensei que começaria a desenvolver teorias loucas sobre as árvores que observava, as pessoas que andavam, carros, etc. Mas não. Comecei pensando na minha vontade de me matar e nela permaneci.
Nunca pensei tanto no mesmo assunto por tanto tempo – isso porque eu mal notava o tempo passar –. Digo que ele me fez esperar uns 30 minutos, mas pode ter me feito esperar 10, ou 60. Justamente porque eu não senti o tempo passar. Me foquei tanto naquilo que mal notava a influência do espaço, a tiazinha dizendo que vai sentar-se do meu lado, etc. Pensei no local, na minha carta de suicídio, pensei para aonde provavelmente irei... tudo. Nada me amedrontava. Me parecia perfeitamente lógico o meu suicídio. Era o que tinha que fazer. Só havia essa opção.
[...]
Como vocês vêem, ainda estou aqui. Sim, consegui me afogar numa poça de entretenimento até que a ideia sumisse da minha cabeça.
Poucos dias se passaram. Era manhã, eu estava na cozinha, ralando beterraba e socando alho, quando meu irmão me disse ter tido um sonho comigo.
Normalmente ele não me fala estas coisas. Pelo que lembro, nunca havia tido um sonho comigo, então fiquei surpreso e perguntei do que se tratava.
No sonho dele, eu estava chorando muito. Ele me viu e tentou ajudar, porém eu corri freneticamente para a varanda e subi no freezer, a fim de pular da janela. Ele conseguiu me segurar e jogou-me contra o chão. Depois disso, acordou.
Fiquei espantado, mas não demonstrei meus verdadeiros sentimentos e consegui cobrí-los com uma leve risada de zombaria.
Ele ficou me perguntando se eu estava mesmo bem – outra coisa que normalmente não faz comigo –, fiquei dizendo que sim, rindo, até que ele se convenceu e parou.
Bem, é isso mesmo, meu irmão sonhou com o meu suicídio.
Não me parece um simples sonho.