Inicialmente publicado no fórum Cyberia 3.0
Olá, cyberianos. Não me esqueci de vocês.
Estou finalmente tendo atitude para tentar melhorar um pouco a minha vida e sair deste limbo de pessimismo, desmotivação e desânimo. Tem um lugar que costumo visitar para discutir sobre Deus e a Bíblia porque tem poucas pessoas e o assunto é ótimo, em vista que costumeiramente entramos numa filosofia externa ou interna.
Nesta minha recente visita, me foi confiado um livro de Luiz Felipe Pondé, chamado: "Os Dez Mandamentos (+ um) – Aforismos Teológicos de um Homem sem Fé".
Prometi que iria ler o mais cedo possível, então acordei e comecei a ler.
Para a minha surpresa, já nas primeiras páginas eu encontrei umas frases que chamaram minha atenção e comecei a divagar em cima delas, desenvolvendo algumas ideias na minha cabeça que não queria desconsiderar.
"Como dizia Nietzsche, o homem do futuro não terá necessidade de nenhum artigo de fé. Talvez a fé, afinal, atrapalhe a contemplação do Eterno."
E a segunda:
"Ter fé não é contemplar o Eterno".
Quando li isso, pensei: "Ué? Mas como assim!?"
Então tentei, instantaneamente, criar um conceito para Contemplação e Fé na minha cabeça, sem que precisasse consultar um dicionário.
"Contemplação é a visão poética e sentimental a respeito de algo ou alguém."
"Fé é a plena certeza de que uma figura abstrata ou um fenômeno físico, aparentemente improvável, possa ter influência em nossa realidade."
Não sei se está certo, mas é com isso que vou ficar, pois parece o mais aplicável para mim.
Estas poucas páginas estão me fazendo ressaltar a minha compreensão do porquê tenho tanto a falar de Deus, mesmo que tampouco pesquiso sobre ele.
Sempre que meu pai e eu discutimos à respeito de Deus, me mantenho com os pés no chão sobre minha ideia, argumentando favorável a ela com muitas ideias que, ora ele se cala, ora me diz a mesma coisa: "Mas se você não voltar para os caminhos de Deus, vai pro inferno..."
Digo isso porque ele é pastor e tem mais experiência com Deus que eu. Estudou muito de teologia com meu avô e outros crentes sabidos das escrituras.
Isso me faz entender que, se você não sente as coisas que estuda e pensa, então não vale muita coisa. Eu tenho sentimento em minhas palavras quando falo de Deus, por isso mostro convicção em minhas ideias, com abrangência. E eu não sou cristão.
A questão é: por que eu tenho tanto a falar de Deus?
Reflexões, óbvio. Mas vamos mais à fundo nisso para que você possa me entender e tentar aplicar em sua vida, tá okay?
Quando criança eu já ia para igrejas e subia em montes para orar e louvar a Deus. Nesse tempo meu pai não era cristão, então era minha mãe quem nos levava para estes lugares. Era divertido. Conheci e brinquei com muita gente e tive uma história boa lá.
No entanto, fui crescendo, amadurecendo. Percebi, por mim mesmo, que nunca senti a presença de Deus em mim, um sentimento único que teria a plena certeza de que era ele ali. Sabe o "batizado com o espírito santo"? Também não (e eu me batizei na igreja).
Isso me fez, por volta dos 14 anos, querer sair do cristianismo e buscar novos horizontes em busca de Deus. Mas meus pais reprovavam a minha decisão e me mantiveram preso na igreja. Eu era obrigado a comparecer certos dias da semana naquele lugarzinho peculiar, onde eu conhecia todo mundo e tinha que ficar com a máscara de "boa pessoa". Isso me fez criar ódio pela igreja, pelo cristianismo, por Deus. Senti ódio e não conseguia mais suportar aquela sensação. Tinha vezes que chorava, bem baixinho, durante o culto. Como na época o meu cabelo era bem grande e estava com prancha, ninguém me via chorando.
No fim, tive mais e mais problemas para meus pais lidarem e acabaram esquecendo deste outro e passei a ficar em casa, sem a obrigação de ir para a igreja.
Com o tempo, fui pensando melhor sobre isso tudo e larguei do meu ódio por Deus e a igreja.
Quanto mais o tempo passa, mais percebo que não faz sentido viver sem um Deus, pois senão a vida é chata pakas. Porém, eu não quero mais seguir o cristianismo na minha vida, não me identifico mais com essa religião, então, descarto completamente a possibilidade deste Deus, que acredito existir, ser cristão.
Por isso digo com convicção: acredito em Deus.
Mas... que deus? Quem é esse aí?
Não sei. :)
Só... acredito. Tem um deus lá no fundão controlando as pequenas bolhas que chamamos de universos e enchendo ainda mais o mar que estas bolhas se encontram, criando, instantaneamente, mais bolhas.
Ah, é. A terra é plana, então só existe o nosso universo e a terra é o centro dele. Puts, esqueci. Doidera, né!? xD
[...]
Percebem que eu sou ótimo quando se trata de fugir do tema?
Bem, na realidade eu não fugi. Vamos pensar!
Nesse tempo que eu comecei a pensar e aceitar Deus, foi o tempo que eu mais estava contemplando a beleza da natureza e das pessoas, enxergando o meu próximo com uma visão cósmica e espiritual. Isso me fez sentir amor por tudo que passava em meus olhos. Até hoje tento não matar uma formiga.
Vê? Eu contemplei a natureza e os integrantes deste pequeno disco azul com domo que é a terra, não Deus.
É isso que Deus quis dizer com amá-lo acima de todas as coisas. Ele não fala dele, mas de sua criação. Amando a criação, eu amo ele também.
Resumindo: Eu não tenho fé em Deus, mas é por contemplar a sua criação, que me sinto mais próximo a ele, e, com a sabedoria que tenho absorvido com isso, sou capaz de defendê-lo e dar ensinamentos bíblicos que jamais pensei conseguir.
O que vale mais: fé sem contemplação, ou contemplação sem fé?
Minha opinião: em ambas as situações, você vai parar no mesmo caminho.
E você, o que acha?
Obs: Para os que não me conhecem ou não estão acostumados com meu jeito peculiar de ser, eu não sou terraplanista! =)