Cyberia, Suicídio... sas coisa ae.


Inicialmente publicado no fórum Cyberia 3.0

Olá, cyberianos.

No momento em que escrevo são 1h40 da madrugada, não consigo dormir. Está um silêncio que há tempos eu não aprecio. Infelizmente terei de rompê-lo ligando o ventilador, embora algo me diz que isso torna o clima ainda mais agradável.

Eu vejo a Cyberia como, de fato, uma família. Eu sinto isso. Uma comunidade única que certamente guardarei lembranças no futuro, que lutarei para ter condições de estar aqui. Nós compartilhamos informações e projetos que instigam nossos interesses e curiosidades, desabafamos em poesias e expomos nesta biblioteca virtual.

Hoje, entretanto, não apareci para publicar minhas poesias ou artigos desinteressantes. Esta nota será um desabafo.

Até então eu sempre me vi como uma pessoa forte, afinal de contas, venho aguentando tanta coisa cedo demais e ainda consigo permanecer alegre e cativando as pessoas. Hoje reconheço que nem tanto. Os problemas acumulam e não diminuem. Mas a raíz não são as pessoas ou o meu ego, é a lucidez e consciência. Guardem esta informação que pensei por conta própria, através de minhas reflexões:

“Se você tem plena consciência e se sente lúcido dos seus problemas, repetí-los tornará a dor cada vez maior.”

Se sabe que é desnecessário passar por algo e, por experiência empírica, conhece a estrutura do problema e afins, a tendência é que o efeito dele sobre você aumente gradativamente.

E é exatamente essa a raíz do meu problema, o que têm me feito pensar com tanta frequência como nunca em suicídio. Eu sei que posso revertê-los, solucionar um pouco e lidar com outros, mas há uma força hierárquica superior sugando o resto das expectativas que tenho sobre a vida.

Cada vez menos as coisas externas têm importância para mim, cada vez mais têm me sido extremamente lógico, racional e adequado o suicídio. Às vezes, penso no porquê de não ter cogitado essa ideia antes, pois agora me parece aplicável e simples devido minhas crenças.

Eu só tenho conseguido pensar nisso o dia todo. Acordo mal todos os dias, volto para casa péssimo e com dor de cabeça e uma leve vontade de dar um pulinho descompromissado na passarela aqui do bairro.

Para piorar, recentemente comecei a espirrar freneticamente enquanto usava o computador. Espirrei tanto que comecei a sentir uma intensa vontade de coçar minha garganta. Meu nariz começou a escorrer e estou tendo dificuldades para respirar.

Sempre que vou dormir o meu corpo reage da forma mais estranha possível. Sinto frio do nada, então uso um cobertor. O frio intensifica e depois meu corpo aquece. Daí me sinto nas nuvens, extremamente confortável e quentinho. Tento dormir, mas não consigo (tanto que agora são 02h00 da madrugada). Não faço ideia de quantas vezes cochilei. Uma hora eu senti sede e fui levantar e ir até a cozinha beber água. Me senti tonto, muito pesado e desnorteado. Meu corpo não colabora.

Estou convivendo com barulho o tempo todo, então é difícil pensar. Não quero mais fazer nada além de deitar na cama, me cobrir até a cabeça e tentar cochilar para o dia passar rápido e chegar o final de semana. Me sinto péssimo, sem caminho ou objetivo de vida.

Aliás, essa questão de objetivo de vida têm me preocupado bastante também. Talvez esteja cedo para pensar nisso, mas por já ter 17 anos, não conseguir me desenvolver em sociedade e não me identificar com uma carreira profissional para seguir futuramente martela muito a minha cabeça.

Eu quero muito dormir, já são 02h07, mas estou com insônia. E mesmo que estivesse com sono, é melhor não dormir.

Hoje, minha professora de matemática, enquanto ministrava sua aula, declarou, em tom sarcástico, que eu era o único que não estava dando atenção. E eu realmente não estava e não ouvi por causa do fone de ouvido. Uma pessoa do meu lado me cutucou, o que me fez pausar o anime e dar atenção à moça, que logo apontou para a professora.

Recebi um sermão dizendo que precisava estudar, que é meu último ano, estas coisas.

Juro que até tentei fazer a professora me compreender, que não estou alí por vontade própria e tenho plena convicção de que esse ambiente só me proporciona toxicidade e autosabotagem. Mas como todo bom professor, com seu script já pronto, persistiu na ideia que é meu último ano, que eu deveria ao menos tentar. Eu venho tentando do ensino fundamental pra cá e cada vez mais vou caindo em mim mesmo. Uma certa escola me quebrou de uma maneira inenarrável, até que do nada eu sou trocado de ambiente para um completamente feliz, alegre e extremamente militante e medíocre. Só consegui passar o 1° ano por causa de uma pessoa especial que me motivava; no 2° eu tive um suporte até que legal, mas por problemas pessoais, no fim do ano, só quebraram ainda mais com minha cabeça; agora, no 3°, tenho plena convicção e lucidez que a escola nunca foi o lugar ideal para mim.

O comportamento dos jovens, suas reações e assuntos predominantes, eu nunca me identifiquei com nada do que falam, tampouco me sentia incluído entre eles. Eu fazia parte de grupos aleatórios para que as pessoas felizes e medíocres não enchessem meu saco, me convidando para seus grupos de mais pessoas medíocres e felizes que só querem saber de beber e transar.

Eu realmente não entendo a mente dos jovens da minha idade e sei que não são todos, apenas a maioria. O que me deixa triste e cabisbaixo, é que eles fazem parte da minha geração. Viverei entre eles no futuro. Não é o que quero.

Por isso acho que a Cyberia foi um presente de Deus para mim. Não sei que Deus é esse, mas ter me instigado a curiosidade de pesquisar valeu muito a pena. Me sinto realmente em casa aqui. Não entendendo nada do que vocês falam, apenas balanço a cabeça como se fosse um intelectual exato, que faz perguntas descontraídas para tentar trolar Lain em seus laincasts. :3

Tanto que só saí do grupo da Cyberia porque não consigo mais ser o Unnam que lhes perturbou. De qualquer forma eu ainda pretendo voltar, só não agora.

Sei também que boa parte não vai ter chegado até aqui, pois talvez seja um texto muito grande para vocês. Bem, tanto faz. Me sinto mais leve falando isso tudo. Gostaria de ter essa criatividade e objetividade num podcast.

De vez em quando ouço um podcast chamado “Saco Cheio”, de Arthur Petry, e esse cara é ainda mais insano que eu. Algumas ideias que ele aborda certamente as pessoas iriam querer condená-lo e ele mesmo fala em seus podcasts que: “Se alguém ouvir isso e tornar público, eu posso ser preso pelas coisas que falo.”

Não concordo com quase nada do que ele diz (porque realmente são ideias que pessoas comuns devem passar longe), apenas dou risada de seu ódio pela sociedade. Simpatizo com este sentimento.

Bem, termino este desabafo por aqui. Por tudo o que falei, considero este o melhor “artigo” que já escrevi na Cyberia. Os outros não são muito bem elaborados e completos como tal. Eu realmente amei escrever isso.