A Vez Em Que Quase Morri Bebendo Vodka Quente.


Vou lhes contar um evento que aconteceu comigo. Hoje é dia 1 de Abril, mas prometo que não é mentira. O ocorrido foi no dia 30/03 e no mesmo dia eu anotei tudo. Porém, como estava apressado na anotação, com medo de esquecer momentos cruciais, a escrita não ficou boa e agora estou revisando.

Tenho um amigo chamado Afonso (nome fictício) que conheço desde o ensino fundamental. Estamos voltando a ter contato com maior frequência este ano. Ele fuma maconha, bebe e faz algumas coisas que é melhor eu não dizer. Eu não vejo problema nisso e nem sinto hesitação em conversar com ele, pois o respeito e vejo como um amigo do qual posso confiar para desabafar e ser eu fora da internet.

No dia 30 a gente marcou de se encontrar para beber algo ruim e contemplar a visão da favela num terraço. Nos encontramos no local marcado e fomos para uma padaria comprar uma vodka barata (Ousadia sabor açaí). Afonso queria me mostrar seu amigo, Thiago, que estava nos esperando de bike.

A gente andou e escalou um pouco até chegar na lage de uma casa, que por estar num ponto alto, optamos por descansar, beber e bater um papo. O amigo dele não queria beber, então dividi minha bebida com o Afonso. O sabor estava gostoso no início, parecia xarope. Mas como fui tomando de gole em gole, a bebida esquentou e foi ficando cada vez pior de engolir. Bebi cerca de 300ml (estou acostumado a memorizar estas coisas).

Poucos minutos após bebermos, Thiago queria subir numa pedra no morro que não estava muito perto. Não vi problema, então começamos a andar até lá. Entramos por vários caminhos, já que alguns estavam fechados e outros com mato alto e sem apoio.

No fim, não conseguimos chegar até a pedra por falta de caminho, então descansamos em um lugar cheio de folhas e árvores por perto. Afonso estava nos informando que ali era o fim da nossa favela. Passando do pequeno muro que demarcava o morro e em que estávamos sentados, poderíamos correr grandes riscos. Embora andamos muito, eu não estava tão cansado, pois estou acostumado a andar longas distâncias. Porém, foi só quando eu sentei que os efeitos começaram:

Minha frequência cardíaca estava aumentando freneticamente, junto com um zumbido forte nos ouvidos. Chegou a um ponto que eu não estava mais ouvindo nada além do zumbido. Batidas fortes na minha garganta e minha visão embaçada e tonta. Tudo estava muito claro para mim, era um brilho tão forte que eu estava assustado, tentando controlar minha respiração para reduzir a frequência cardíaca.

Eu pensei que fosse morrer, mas não estava com medo nem nada. Na verdade, estava curioso demais para pensar em morte. Meus pensamentos estavam centrados nos sintomas e no que poderia ser aquilo tudo. Em um certo momento, durante o efeito, me questionei sobre a possível morte e isso me fez pensar nela, cobiçá-la. Quando os efeitos reduziram, senti a mão do Afonso e do Thiago me segurando para eu não cair. Sem pensar, me sentei no chão de terra para usar o muro e minhas pernas como apoio para o corpo.

Me perguntaram se eu queria água, se estava tudo bem, mas não conseguia falar nada porque estava com um gosto horrível na minha garganta e a frequência cardíaca ainda alta.

Quando tudo acabou, eu estava suando muito e com sede. Me questionaram se eu conseguia levantar, se queria água ou se estava doente, algo do tipo. Falei que estava bem, que agora a situação se normalizou. Ficamos conversando sobre aquilo e em como foi assustador me ver daquela forma. Conversando com eles, disse que gostei, agora que terminou. Foi uma sensação interessante e eu certamente não quero esquecer.