Faz poucos dias desde que o entretenimento e a comunicação se tornou uma ocupação consideravelmente reduzida em minha vida, devido minha decisão de desinstalar programas, jogos, aplicativos e me abster de serviços que me custavam muito tempo. Tudo isso para relaxar e clarear minha mente, coçar o saco e me organizar. Até então pensei que seria uma boa, daria certo sem problemas. Confesso que sou um pouco burrinho…
Está dando certo, sim, mas, atualmente, deparo-me com um problema preocupante em minha vida: estou perdendo o controle. Não me refiro a enlouquecer ou me afundar em melancolia e pessimismo. Acontece que eu tinha uma rotina programada e em condições favoráveis para executá-la periodicamente. Se houvesse um problema comprometendo sua execução, não havia risco algum em interromper seu funcionamento para solucioná-lo. É o lado bom de ser um adolescente vagabundo sustentado pelos pais.
Era um script tão encaixável que ocupava todo o meu tempo, desde a hora em que acordo, até a hora que durmo. E por isto, repetiu-se mais e mais, e… daí eu forço sua parada de repente?
Pois é, senhores. Estou tomando decisões que não vieram de mim. Fazendo coisas que não era pra fazer. Eu até penso no porquê de estar fazendo aquilo, mas uma sensação persistente diz que não tem nada para fazer além daquilo, que senão eu ficaria deitado olhando para o teto, de novo.
Tenho almoçado sem fome, ouvido podcast sem estar com vontade, entre outras coisas. Não estou conseguindo manter o controle da minha vida porque meu cérebro insiste em me ocupar com alguma coisa, mas não com coisas boas. Ele quer que eu volte a ver memes durante horas, assistir vários vídeos no YouTube e ficar um bom tempo em redes sociais. Ainda tenho conseguido escrever alguma coisa de vez em quando, estou conseguindo produzir, mesmo que dificilmente agora. Eu quero muito me afundar em entretenimento, mas ao mesmo tempo sei que isso faria meu isolamento ser em vão.
Por fim, antes de começar a escrever, decidi fazer café. Eu peguei a panelinha (não sei o nome daquilo), coloquei no fogão e liguei. Er… não tinha água nela. Percebi que não tinha água, me senti um idiota e fui encher. Não havia acontecido aquilo comigo antes. Olhei para a manteiga e fui decididamente preparar um pão. Mas… não estava com fome, só queria o café e voltar para o quarto para escrever. Novamente me senti estranho. Como se uma rotina programada estivesse seguindo seu trabalho em segundo plano e interferindo com meus pensamentos.