Cara! Vou te dizer, viu. Semanas atrás fiz um curso de conserto de celular, esperançoso que, ao terminá-lo, já iria encontrar um trabalho de cara, afinal, o mercado de celular está aumentando! Há mais celulares do que humanos no mundo!
Rapaz... a minha vida está escorrendo por água abaixo e não sei o que fazer quanto a isso. Estou organizando uma fórmula para mudar de vida, mas talvez não serei capaz de superar minhas procrastinações e seguí-la. Cada vez mais perco a confiança em mim mesmo, minha palavra já não tem peso pra mim. Digo que não vou comer aquilo, mas, sem pensar, vou lá e como, ou "irei no lugar X na hora Y", porém como estou assistindo animes ou fritando minha cabeça com outra coisa, não faço o que deveria fazer.
Termino o dia prostrado no sofá, sem forrá-lo com meu típico lençol e sem o meu típico cobertor, isso porque faz parte das minhas regras de higiene usar coisas limpas somente estando limpo. Ao menos essa regra consigo seguir, não?
Poxa, cara... eu deveria ter começado a escrever um diário no início do ano, mas venho procrastinando até aqui, então decidi fazer isso de um jeito diferente, nada sistemático, como planejado. Eu estou péssimo, não possuo autoridade sobre minha própria vida e estou fritando com entretenimentos alheios.
Estou agindo feito um gado, sem saber quando chegarei no abatedouro, mas é fato que a ansiedade e desânimo se torna crescente só pela possibilidade de haver um abatedouro e que logo logo estarei lá. Cada vez mais meus problemas internos crescem e eu sou constantemente martelado. Vou te dar uns exemplos, meu querido Unnam.
É minha tarefa, aqui em casa, manter a sala limpa. Eu sempre fazia outras coisas a mais porque só morávamos meu irmão e eu. Costumava manter a cozinha e a sala limpa, principalmente nas sextas, que é o dia da semana em que minha mãe vem para casa.
Hoje em dia eu mal consigo lavar uma louça por completo. Saber que preciso lavar a louça, me desanima tanto que nem o faço, mas saber que estamos perto de sexta-feira me faz, ao menos, tomar a decisão de lavar metade. Meus irmãos toda hora me cobram coisas óbvias, como guardar minhas roupas, lavar a minha louça, ir ali, fazer aquilo... Coisas que eu fazia sem problemas.
Eu quero poder gritar: Porra! Eu estou péssimo! Cada vez mais perdendo o rumo da minha vida e voltando a pensar loucuras! Estou desanimado, procrastinando até mesmo em coisas que são boas para mim, incerto de tudo, inclusive das minhas próprias convicções. Eu nunca sequer pensei que poderia haver um tipo de incerteza que torna até mesmo o que é fato, incerto na minha vida! Porra! Eu não sei o que fazer! Não tenho um trabalho, mas tenho uma cabeça cheia de problemas que me cobra muito por isso! Ninguém compraria meus problemas nem de graça! Eu... não sei. Não sei. EU NÃO SEI DROGA! NÃO LAVO A PORRA DA LOUÇA POR IMPLICÂNCIA OU QUALQUER COISA DO TIPO! EU SIMPLESMENTE NÃO CONSIGO SEQUER LEVANTAR DO SOFÁ SEM SENTIR ALGUM PESO OU DOR! NÃO CONSIGO MANTER MINHA CABEÇA EM SILÊNCIO NO MOMENTO EM QUE ELA MAIS ESTÁ APTA A PRODUZIR E CRIAR! EU QUERO MORRER POR NÃO TER UM TRABALHO, QUERO MORRER POR ME FAZER COBRANÇAS E SER DIFERENTE DA MAIORIA! POR QUE EU ME COBRO TANTO SE NÃO VOU SER IMPORTANTE NESSA VIDA? EU SÓ QUERO TER UMA VIDA TRANQUILA! EU SÓ QUERO NÃO DEPENDER DE NINGUÉM E VIVER ATÉ POSSUIR CORAGEM O BASTANTE PARA ME MATAR! ENTÃO POR QUE ME COBRO TANTO? DROGA!
Você quer maturidade? Quer ser adulto? Quer ser diferente das outras pessoas? Quer refletir sobre o sentido da vida e o desejo de se matar enquanto seus colegas não pensam, mas transam, jogam bola, se divertem às suas maneiras, despreocupados com o futuro? É isso que você quer? Acontece que muitos possuem essa personalidade introspectiva e introvertida, que comumente concilia-se com dores do passado, e adivinha o que acontece com uma grande parte de nós? Cometemos suicídio antes de criar algo significativo para nós e para o mundo.
Eu recebi um email muito especial recentemente. Me senti incrivelmente bem e me animou para organizar um pouco as minhas coisas e afins. Mas a vida é uma montanha russa e eu não posso depender de motivação, de inspiração. Tenho que fazer, correr atrás, motivado ou não. Mas, veja! Meras palavras... Pois é, meras palavras. Como irei pô-las em prática? Talvez um cigarro me ajude, talvez maconha, ou pó... Brincadeiras à parte, exceto o cigarro, eu realmente penso que isso pode me acalmar. Mas fique tranquilo, Unnam, sei que você, do seu jeito, refinou bem este rapaz para que eu possa herdar o seu corpo e levar o projeto adiante, e eu não gostaria de levar a culpa por ter causado um câncer de pulmão num corpo invólucro que crê poder fazer algo incrível para o mundo ou para si mesmo.
Aqui eu termino meu desabafo, Unnam. Eu te amo.